No tempo em que eu não digitava

Tenho tantas memórias da primeira infância.

Lembro que o meu paizinho lindo lindo lindo (como diria Chiquinha) me presenteou várias vezes com um caderno de desenho. Eu soltava a imaginação com motivos que definitivamente não lembro. Um vulto me trás uma casinha, minha caixa de lápis de cor, a folha de seda entre uma página e outra, o cheirinho de papel novo e principalmente o lápis preto.

Do lápis preto lembro mais. Minhas letrinhas redondinhas se desenhando no papel. Muito legal. ❤ Parece bobagem, só que foi o que de mais importante sucedeu para minha formação.
Agora me veio a lembrança uns rabiscos meio abstratos daquele tempo, uma sequência de linhas entrecruzadas que não dizia coisa com coisa nas quais eu gastava mais de um quarto de hora sobrepondo o azul, o amarelo, o verde… Tantas cores estivessem disponíveis no meu estojo de lápis.
Que saudade grande dessa época! Hoje em dia eu conservo um livro de colorir. Infelizmente não possuo mais tanta disponibilidade para deixar a minha mente trabalhar livremente. Os desenhos já não vêm da imaginação. Estão prontos, só esperando que meu traço lance alguma cor pras páginas brancas e repletas de padrões e linhas semelhantes.

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Ok. Na verdade nem era pra eu estar falando e ilustrando aqui imagens de pinturas. O assunto inicial era digitação. Voltemos a ele.
Esse texto estava no rascunho do blog desde 2012. Lembro que tive a ideia de escrevê-lo ~digitá-lo~ porque estava preocupada com a regressão da minha caligrafia. O hábito de desenhar as letras no papel não é mais tão frequente na nossa vida e isso me intrigava naqueles dias. Hoje não mais.
Depois desse texto inacabado retomei a escrita. Enchi alguns cadernos. O medo de perder a beleza das minhas letras sumiu. Questão de prática.
Uma coisa que sempre observei foi que a letra muda muito. Compare sua caligrafia de agora com a de 4 anos atrás. A mudança pode ser sutil, mas existe. Nunca falei com especialista no assunto e nem pesquisa fiz, mas penso que deve ser reflexo das mudanças na nossa vivência. Isso é um talvez. Um talvez beeeem grande.
A letra muda – a minha especificamente – quando mudo de lápis ou de caneta também. É interessante.

#aletradaspessoas

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O ato de escrever me dá mais prazer do que digitar. É fato. Sigo tentando equilibrá-los, tendo a consciência de que a digitação vem se destacando mais.
Quando bate a saudade da letra ou da infância, há sempre uma página pra qual posso voltar.

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