No tempo em que eu não aceitava o fim

Provavelmente todos nós já adiamos o fim de algo na vida por diversas razões.
Por medo, por achar que faltava preparação para encarar a verdade ou mesmo por querer ignorar que o fim realmente já aconteceu e não há mais nada a se fazer. No meu caso era a última alternativa mesmo, mas vou passear pelas outras só pra contar uma história pra vocês.

Eu tinha um alguém muito importante na vida. Um amigo. Aquela pessoa pra quem você conta absolutamente tudo. Desde o recheio do seu pão até o crush que balança o seu coração. E isso é muito natural. Muito reconfortante. Você entende que não está só.
Um belo dia eu tive medo do que estava sentindo. Medo do fim, mas o que eu não sabia era que já havia acabado. Era outra coisa que me fazia palpitar. Me assustei ao constatar que ele não era mais meu (não no sentido de posse, mas no sentido de pertencimento). Era isso: nós nos pertencíamos. E era lindo. Era forte e seguro.
Até que o meu medo ajudou a não nos reconhecermos mais. Medo de competição. Medo de perder. Não havia espaço para uma terceira pessoa, então eu resolvi me retirar. Meu coração doeu. Minha alma estremeceu. Porém, era o melhor a ser feito. Pra preservar o que construímos. Principalmente para me preservar. Meu egoísmo falou mais alto e eu parti.
A terceira pessoa que não cabia ali, no fim das contas nem era eu. Apesar da minha retirada estratégica (equivocada?), as coisas não progrediram. Aliás, minto. Deram certo por longos 5 anos. E eu de longe, sem contato. Sem saber por onde meu antigo abrigo andava, o que estaria fazendo…

A verdade que eu não estava pronta pra encarar era cruel. A amizade da qual tanto me orgulhava não era tão recíproca quanto eu imaginava. Não que ele não nutrisse por mim nenhum sentimento. Ele me considerava sim. E deve considerar até hoje. A diferença é que eu sou a que se entrega em qualquer relação, a que se joga de cabeça, a que prepara surpresas nas datas especiais e nesse intervalo o medo dele é que se sobressaiu na nossa história. Eu entreguei demais e ele ficou com medo de receber. Estranho, né!? Deve ser alguma treta mal resolvida dele com ele mesmo, por que da minha parte tudo estava bem e permaneceria assim por séculos. Sério mesmo. Acho que era amor.
Era amor ou era cilada? Nunca vamos saber realmente. A verdade verdadeira tem se mostrado cada vez mais abertamente: a amizade chegou ao fim. Não somos nem de longe as pessoas que éramos. Ele parece ter se fechado muito mais. Enquanto eu me abro pras possibilidades, me abro pro mundo. Ele não percebe que o fato de termos nos reaproximado agora NÃO FOI POR ACASO. Parece mais uma janela temporal escancarada que nos mostra uma mensagem de “aproveitem o momento”. Mas, até essa janela tá perigando fechar. Na real, já fechou.
Não vou dizer que não estou triste. Seria desonesto. É triste de verdade ver tanta coisa boa escoando pelo ralo. Mas, é aquela coisa né… Vamos fazer o que?
Eu decidi que não vou ficar remoendo mais o passado. Já basta esse texto.
Também não vou bater em retirada novamente. Chega de soluções óbvias. Deixa que as coisas se encaixam. Sem cobrança, sem neura e sem expectativas.
Por agora tô juntando o que sobrou dessa história e guardando num canto arrumado da memória. Um lugar bonito que vai me lembrar só o que foi bom. O futuro a Deus pertence e só sei que a vida agora é daqui pra frente!

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