No tempo em que eu trabalhava na Time Propaganda

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Numa manhã de maio de 2012 recebi uma ligação do amigo Arimateia Quinto.
Eu estava em casa e fiquei muito surpresa quando ele me falou sobre uma vaga de redatora na Time Propaganda.

Me empolguei na hora. Como muitos dos meus colegas eu já tinha fantasiado como seria trabalhar na Time. Principalmente depois de assistir uma oficina do Julio Santana sobre marketing direto e também quando ele foi na nossa aula de mercado contar um pouco da trajetória da agência e de como era o cotidiano lá.
O Ari disse que ia repassar meu número pro Netto Carvalho, logo receberia a ligação que poderia mudar meu presente profissional de publicitária desempregada e freelancer nas horas vagas para funcionária de agência renomada. Pulei da rede na qual pensava na vida e vivenciei minutos ou horas de euforia, agora não me lembro. Quando o Netto ligou já foi marcando a entrevista que seria no dia seguinte. Acalmei a ansiedade. As unhas precisavam sobreviver pelo menos pra entrevista.
Cheguei lá. Uma casa de esquina na Rua Olavo Bilac. Tantas vezes já tinha procurado aquela casa com aquela placa nas minhas andanças pelo centro da cidade e não tive sucesso. Dessa vez foi rápido. Entrei e falei com a moça da recepção (Diana). Ela me pediu pra esperar um pouco. Sentei no sofá preto ultra mega power confortável e quis ficar. Queria que desse certo. Entraram na recepção duas pessoas que eu não conhecia: um cara muito alto (Lucas Veras) e uma outra moça que falava bastante (Naiara Adad). Olhei de canto de olho numa desconfiança que só vendo. Nem deu pra puxar assunto além de um boa tarde, era hora de entrar na sala dos chefes.
Adentrei a sala do Julio e do Netto levando meu netbook de guerra com o portifa dentro. Nem falei ainda como estava vestida. Vamos lá. Na época eu usava dreads. Não eram aqueles dreads originais que agarra no casco da cabeça e depois só cortando. Parecia mais com um megahair de trança coloridão entre o castanho e o loiro. Pra compor, uma camisa xadrez, saia e sapatilha. 20 quilos acima do peso e muita vontade de trabalhar.
O papo finalizou como eu queria. Eu ia começar na segunda. \o/ Depois disso fui conhecer a agência, iniciando pela predominantemente masculina sala de criação. Seria ali meu novo convívio diário com vários caras que nunca tinha visto na vida. Bateu um medinho de dois segundos que logo passou quando me lembrei que trabalhar com vários caras não era novidade na minha vida de redatora. Questão de adaptação.
Primeiro dia. Justo um dia de greve dos ônibus. Aquela que já está prevista no calendário de eventos de Teresina. Cheguei atrasada e me justificando. Hahaha. Tudo corria muito bem. Estranhei o banquete no almoço e percebi de imediato que ia engordar muito naquele lugar. Fui conhecendo e gostando cada vez mais de tudo e de todos. Principalmente da liberdade criativa que eu nunca tinha experimentado, até porque minha carreira tinha começado há pouco.
Mais ou menos uma semana após a minha chegada, quem entra na sala pra ser apresentado também? O Igor Escórcio. Eu já o conhecia dos tempos de SIFE CEUT e fiquei contentíssima por ter alguém mais familiar por perto. Ele foi o responsável pela quebra de gelo geral entre o restante dos meninos e eu. Ainda nas primeiras semanas, postou uma zoeira comigo no Facebook. Todos ficaram esperando o momento que eu aplicaria uma voadora que obviamente não veio, porque eu sou da zoeira também, né gente. Besteira isso. Um mês depois ninguém me respeitava mais. É dessa época o surgimento da célebre frase do saudoso amigo Lima Jr: “rapaz, respeita a Susyanne.” Não surtia muito efeito, mas era engraçado pacas ouvir.
Mudamos da Olavo Bilac pra Pedro Freitas. Queriam me separar dos meus meninos, mas o Lima não deixou. Acho que foi bem aí que a sementinha da amizade verdadeira foi plantada. Passamos a trabalhar todos na mesma sala e a ideia era que eu ficasse no lado A, perto do atendimento. Fiquei no lado B mesmo, ao lado dos criativos e tecnológicos. E vivemos tanta coisa que vou te contar, viu. Teve alegria, teve tristeza, teve prêmio. Teve até luto. Tudo isso só serviu pra nos fortificar e aumentar os laços de família. Somos família sim. Tantas horas convivendo com essa galera que não tem como não considerá-los como gente de casa. Gente do coração.
A cada dia que passava me aproximava mais dos tecnológicos e me distanciava dos criativos. A redatora foi dando lugar pra produtora de conteúdo. E nessa pegada aprendi muita coisa. Cresci deveras como profissional, confiei mais em mim como pessoa. Era muito bom acordar empolgada para trabalhar mesmo depois de anos, mesmo depois das crises.
Até que um dia não foi mais assim. Um pensamento foi se fortalecendo comigo de que aquele ciclo estava prestes a se fechar. Eu precisava arejar a cabeça. E além disso, tinha planos. Transformar esse blog em algo mais profissional é uma das razões que me levaram a tomar a decisão de me demitir. Produzir conteúdo com a ambição que pretendo demanda mais tempo, mais foco no digital. Coisas que ficaram muito claras pra mim quando terminei minha pós em Marketing Digital no final de 2014. Outro motivo bem forte é o meu sonho de fazer um mestrado e ingressar na carreira acadêmica. Sonho antigo que só não realizei assim que saí da graduação, por achar que precisava do traquejo do mercado antes de me trancar na universidade novamente. Também durante a pós-graduação tive a oportunidade de dar uma aula, e amigos, o que eu senti foi TESÃO. Puro, simples e cru. Vou seguir nessa levada por motivos de: me sinto muito bem quando fico ali na sala de aula compartilhando conhecimento. É mágico. Acho que é vocacional também.

O QUE VOU FAZER AGORA?

Preciso continuar pagando minhas contas e produzindo. Felizmente já fui acolhida por outra família de trabalho: a Hip Marketing e Comunicação Digital. Muito apropriado pra esse momento da minha carreira no qual sinto a necessidade de estar imersa no digital e aplicar as bilhões de coisas que venho aprendendo e que ainda vou aprender. Paralelamente, desenvolverei o projeto do meu espaço (este aqui mesmo), estudarei pra seleção de mestrado e nas horas vagas (se eu as tiver) vou tratar de cuidar de mim, pois sempre me esgoto de alguma maneira depois de um processo longo como esse. E quem não, hein?

Pra finalizar, digo a vocês que tomar essa decisão não foi nada fácil. A Time é de longe o melhor lugar que já trabalhei até hoje. Tem defeitos? Óbvio. Todo lugar tem. Estaria mentindo se dissesse que não levei alguns deles em consideração para tomar a decisão de deixar a casa. Mas, não tenho dúvidas de que a experiência ultrapassou as linhas do currículo e foi direto pro meu coraçãozinho. E afirmo isso porque eu sou piegas mesmo e amo muito todos vocês.

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4 comentários em “No tempo em que eu trabalhava na Time Propaganda

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