No tempo em que eu não fazia amizades

Amizade é um assunto sério pra mim.
Estar num grupo ou dupla de parceria sempre esteve no topo das minhas prioridades, mesmo que eu não tenha precisado fazer muita força para que isso acontecesse.
Talvez, essa urgência tenha se dado pelo fato de eu ter vivenciado a solidão desde a infância. Única criança da casa até os 9 anos, brincava sozinha e conversava mais com meu pai e com meu bisavô do que com pessoas da minha idade.
Logo, fazer amizades se tornou um hábito extremamente comum na minha vida. Estes amigos têm me salvado desde então.Me salvaram e me salvam sempre. Da solidão, da mediocridade, da auto-piedade e de muitas outras mazelas. Fazendo isso, automaticamente trazem luz e alegria pro nosso caminho. É claro que um ou outro decepciona, mas a maioria vence.
Nos dias de hoje é complicado encontrar pessoas disponíveis até pra uma relação de amizade. Explico.
Tá todo mundo ocupado demais, conectado demais e todo o resto das coisas demais que não consegue estabelecer uma conexão pessoal genuína. As pessoas parecem menos comprometidas em cultivar a presença umas das outras. A impressão que eu tenho é que algumas dessas criaturas acham que não existe necessidade de preservar velhos amigos. Com tantos contatos no Facebook, Instagram, Snapchat e Twitter pra que se dedicar a três ou quatro não é mesmo?
Felizmente, preciso admitir que isso é minoria. Tenho muita sorte em afirmar que cultivo amigos de ontem, de hoje e já me pego investindo em amigos do amanhã. É investimento com retorno garantido de amor e reciprocidade. Também conheço um número bem maior de pessoas que continuam tentando manter laços de amizade do que aquelas que só querem saber de status de rede social.
Mantenho vivos na memória alguns acontecimentos que evidenciam a beleza que é ter amigos sinceros e vou contar um pouquinho aqui neste singelo post.

– A festa surpresa que fizeram pra mim e eu não fui
Sim. Eu faltei uma festa surpresa no meu aniversário. 😁 😁 😁
O motivo: minha mãe organizou outra comemoração em família e eu não podia nem pensar em faltar. Até tentei comparecer nas duas, mas não deu.
As responsáveis pela surpresa foram a Hosana (que hoje mora em Brasília) e a Leilane (que foi minha companheira de viagem recentemente). Elas ficaram chateadas no princípio, mas comeram o bolo e logo tudo passou. Hehehehe.

– Quando ganhei uma família nova
Antes mesmo do episódio acima, tive uma briguinha besta com a Leilane. Nem me lembro direito a razão. Deve ter sido alguma besteira de pré-adolescente. Whatever… O fato é que nessa época eu me aproximei mais da Hosana e passei a frequentar a casa dela. Mal sabia eu que aquela família também seria minha no futuro. Amo muito tudo isso.

– A concha
Pedi pro Caio trazer uma conchinha de Luís Correia numa viagem que ele fez com a família. Naquela época eu ainda não conhecia o litoral piauiense e tava com uma saudade danada do mar. Resultado: na volta o menino me traz um saco cheio de conchas lindas e escolhidas com todo carinho na areia da praia. Apaixonei.

– Mais surpresas do Caio
Fomos muito apegados por um tempo. Ganhei CD dele (do Engenheiros), textão no Orkut de presente de aniversário e quando ele morou em SP me escrevia todo mês religiosamente.

– A revista falando do X-men
Lançaram o primeiro filme da saga X-men mais ou menos em 2001. Eu não tinha acesso a internet e nem tinha grana pra assinar revistas de cinema que trouxessem tudo que eu queria saber sobre o assunto. Não tinha essas coisas. Tinha um amigo. O Fábio era um super amigo e me surpreendeu na aula com a revista SET que tinha na capa a história dos meus mutantes preferidos. Detalhe: ele também não tinha dinheiro. Pediu emprestado pro vizinho e levou pra escola pra me mostrar. ❤

– Atravessando momentos difíceis
As irmãs Mônica e Simone são duas grandes amigas que me apoiaram bastante durante um período depressivo que vivi. Todo final de tarde eu ia pra casa delas e despejava todo o meu pessimismo e discurso revoltado/repetitivo pra elas. Especialmente a Mônica teve toda a paciência do mundo até que eu procurasse um terapeuta profissional e saísse daquela bad vibe.

– Ventilador pro papis
Na Universidade Estadual do Piauí fiz bons amigos. A inseparável era a Camila. Estudar pra prova? Juntas. Fazer apresentação em inglês? Juntas. Sentar no fundão? Juntas. Tanta proximidade fez com que ela conhecesse meu pai e acabasse gostando dele também. Numa de suas mudanças de casa (ela era de Floriano e alugou alguns apês na capital em 4 anos de curso) me presenteou com um ventilador que foi direto pro meu velhinho. Pode parecer uma coisa simples pra você, mas pra mim significou muito.

– Um passo mais perto da vaidade
A Camila realmente foi importante pra que eu ficasse mais segura de mim. Sempre muito esperta e proativa para assuntos de beleza, me convenceu a fazer luzes no cabelo. E ela mesma cuidou de todo o processo. Uma expert, considerando que fazia luzes no próprio cabelo. Eu AMEI! Ficou lindo e recebi elogios por meses. Me chamaram até de Shakira. kkkkkkkk Quem dera…

– Pen drive no sol quente
Um belo dia estava eu fazendo um trabalho de faculdade e precisando urgentemente de um pen drive. Quem tinha? O Bruno. Um amigo que mora consideravelmente longe de mim, mas praticamente no mesmo bairro. Na época ele não tinha carro e mesmo assim pegou sua bike e veio pedalando “no pingo da mei dia”, como a gente diz por aqui, só para me entregar. Achei que foi uma verdadeira declaração de amizade eterna devido ao sol que ele pegou na “moleira” pra fazer isso.

– Conversas no portão
Taí uma modalidade esportiva muito praticada no fim dos anos 90 e até meados dos 2000: conversar até altas horas da madruga no portão da casa da amiga. Eu fazia isso num passado não muito distante com a Hosana. Era ótimo. Funcionava praticamente como uma terapia. Virou até uma classificação de tipo de conversa pra gente. “Ah que saudade das nossas conversas no portão…” Hoje em dia eu não me atreveria a ficar até meia noite na porta da casa dela e depois caminhar sozinha dois quarteirões até a minha residência. Faz cada vez mais sentido o nosso plano antigo de sermos vizinhas e abrirmos um buraco no muro para bate-papos noturnos. Mesmo em tempos de whatsapp e similares.

– Companheiros de Santa Teresa
Dois caras muito legais que não se conheciam toparam uma aventura muito louca com a doida aqui. Fomos pro Rio de janeiro ver o maior festival de música desse país, quiçá do continente hauhauhauahauhauha. Allan e Igor se tornaram muito especiais pra mim por esse e por outros motivos. Estão guardados no meu <3.

Indo pro Rio. 3h da matina.
Indo pro Rio. 3h da matina.

– Saindo no cisco até em manifestação
O Igor é também meu colega de trabalho desde 2012. Na época do “Vem pra rua” lá fomos nós protestar, com direito a cartaz e caminhada bem longa atravessando quase a cidade toda. Foi uma noite bem bacana. Me senti parte da história que meus filhos (se eu os tiver) e os dele (já tá vindo um aí, hein rs) vão estudar na escola.

Caminhando na Ponte JK. Depois da manifestação.
Caminhando na Ponte JK. Depois da manifestação.

– Ganhando prêmio 
Outra história que envolve o Igor e também o Pabllo, o Alysson, a Marina, a Rúbia, a Yaslane, os amigos da Time. Todos muito importantes naquela noite em que pela primeira vez nos vimos premiados e reconhecidos por um trabalho realizado. Inesquecível a gente se acabando de dançar e depois bêbados de dar vergonha sendo “expulsos” da festa porque a galera já queria fechar o buffet.

Momento de glória com esses lindos: Igor e Marina.
Momento de glória com esses lindos: Igor e Marina.

– Pós-graduação em amizade
Duas figurinhas maravilhosas que conheci na pós que terminei ano passado são o Fred e a Natália. Na verdade, eu já conhecia a Natália. A pós serviu (e como) para nos trazer uma proximidade que foi muito além dos trabalhos e conversas no intervalo da aula. Amo! O Fredinho foi me conquistando aos poucos com seu humor e inteligência. Gosto demais dele.

Noeme <3, Marina, Alysson, eu, Natália e Pabllo.
Noeme <3, Marina, Alysson, eu, Natália e Pabllo.
Fredinho e eu.
Fredinho e eu.

– Dupla de criação
Foi num trabalho da Profª Larissa que a Marina me ajudou com um layout e pudemos conversar melhor. Descobrimos muitas afinidades e até hoje continuamos sendo as melhores amigas, apesar da agenda lotadíssima dela. Essa menina é meu orgulho.

– Trio tecnológico
Três caras que me fazem gostar ainda mais de trabalhar – se é que isso é possível. Alisson, Magno e Marcio entraram na minha vida e não foi por acaso. Ainda vamos realizar muita coisa juntos. Amo demais!

Eu, Marcio, Magno e Alisson.
Eu, Marcio, Magno e Alisson.

– Amigas irmãs
Uma dupla maravilhosa que conheci há pouco tempo e já considero pacas. Marília e Giovana foram bebês vizinhas de porta na maternidade e é lindo ver como a trajetória delas foi unindo as duas pela vida. Muito amor. Fico muito envaidecida que elas permitiram a minha presença e passamos a compartilhar muito mais que lanches  na hora do cafezinho da agência. Dividimos pensamentos, sonhos e elas contribuem para que eu fique feliz em vários dias. Agradeço muito por isso.

Ma, Gi e Su. <3
Ma, Gi e Su. ❤

– Primas irmãs
Joziane e Josilene me ajudaram pra caramba a ser quem sou hoje. Passamos por muita coisa juntas e nos apoiamos em muitos momentos. São tantas coisas. Daria um livro. Mas, pra escolher um fato, cito aqui o período em que ficamos separadas e ficávamos trocando cartinhas pra dizer o quanto nos amávamos e sentíamos falta do convívio diário. O momento mais AMOR que tivemos. Ali ficamos conscientes que éramos mais fortes unidas. Vamos trabalhar mais nisso, viu meninas?

– Show do Zeca
A Naiara é uma das pessoas mais iluminadas que conheço. Uma espoleta. Muita energia emana daqueles olhinhos verdes. Uma vez ela me levou ao show do Zeca Baleiro + Nando Reis e foi lindo. Foi uma noite muito especial das muitas especiais que já passamos juntas.

– Amizade de transição
Isabela e Priscila foram as responsáveis por vários rolos amorosos que eu tive na adolescência. Hahahaha! É que elas me arrancavam de casa. Do meu castelo. Me fizeram enxergar de uma vez por todas que não existia príncipe. Que eu tinha que ir a luta. E fui com elas. A gente se divertiu pra caramba naquela fase e continua se divertindo muito pelos meandros da fase adulta.

diadoamigo

– Shirley Best Friend
Olha… Não sou muito de pedir ajuda, mas quando eu peço, sai de baixo. Uma vez fiquei ilhada na UFPI e PASMEM sem dinheiro pra sair de lá. Liguei pra best friend Shirley e ela foi me buscar e ainda me levou praticamente pro outro lado da cidade. Nunca vou me esquecer desse gesto de pura amizade.

– Banner em BSB
Eu ouvia falar da Aline Gisele desde os 14 anos quando a Hosana foi pra Brasília e voltou de lá toda empolgada com as histórias do lugar e das pessoas bacanas que tinha conhecido. Fui pra BSB ano passado e conheci a Aline. Amante de gatos, fã de música pop e ultra gente boa. Daquela estirpe altruísta que a gente pouco vê. Também atravessou a cidade pra me ajudar quando cometi o desatino de mandar imprimir um banner bem longe de onde eu iria precisar dele. Fiquei impressionada e feliz. O bem existe e é de graça, amigos.

– Desequilíbrio
Dei uma “destemperada” psico-emocional esse ano e a orientação dos amigos Alysson Dinis e Marina Lima me ajudaram deveras. Obrigada, migos! Vocês foram fundamentais pra dar certo a vida. ❤

– Hipianos
Vou falar uma coisa pra vocês. Esse povo da Hip já estava no meu coração bem antes de eu me mudar pra lá. E eles gostavam de mim também, pois eu sentia MUITO a energia positiva. Meishmo. Na foto, um momento puro amor.

hiploves

– Desatinadas
Amigas da vida. Dessa e das outras. São tantas histórias que daria um livro. Por hora só posso dizer que nos precisamos todos os dias  e que bom que a tecnologia nos permite esse contato. Hosana, Naiara, Joziane e Josilene: amo vocês demais. Quero a gente numa praia. ❤

 

Finalizo dizendo que se você tem a sorte de ter amigos, cultive-os. Dê aquele jeitinho pra poder encontrá-lo. Nem que seja só dez minutinhos.
Um dia desses fiz um hangout com a Mônica e ganhei o dia. Só por ter conversado com ela. Com alguém que tenho certeza que me ama e que eu amo muito também.
Faça um hangout você também! Taí uma das belezas da tecnologia que é preciso aproveitar para se aproximar das pessoas. Das pessoas que realmente importam. Daquelas que lembram do seu aniversário sem precisar de lembrete do Facebook.
E isso nos dias de hoje é com certeza uma declaração de amor.

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4 comentários em “No tempo em que eu não fazia amizades

  1. Susy amiga, vc falou muito sobre as provas de amizade que vc recebeu, mas se nós, seus amigos, fôssemos escrever sobre o q é ser sua amiga(o) seria um mega texto. Acho que posso falar isso por todos os que te conhecem. Vc é demais Susy!

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