No tempo em que eu curtia Piauí Pop

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Fui a primeira da minha turma a comprar o passaporte para o Piauí Pop – um festival de música e cultura que prometia ser um marco de entretenimento na cidade. Foi criado para fazer frente a outros eventos que já eram sucesso, mas privilegiavam a Axé Music.

Lembro como se fosse agora que entrei na Jelta Rio Branco – loja de departamentos e ponto oficial de vendas – e não enfrentei fila nenhuma. Quando peguei o carnê com a parcela inicial paga me senti muito bem. Exclusiva, pioneira, fazendo parte da história. Mostrei pras amigas que logo compartilharam do meu entusiasmo. Compraram em seguida.
Eu estava empolgadíssima pela confirmação de bandas como Charlie Brown Jr., Titãs, Cidade Negra e CPM 22 (que era minha paixonite da época). Cada parcela paga era um mês a menos pra vivenciar aquele momento. Muita expectativa. Piorou muito quando eles começaram a montar a estrutura. Passando pela Av. João XXIII na semana do evento era possível ver um pedaço do Jockey Club e das estruturas metálicas que dariam lugar ao palco principal.
Pela TV, uma loucura. Assistíamos todos os programas da Cidade Verde que também era realizadora do festival e só falava disso quase que 24 h por dia. A gente adorava. Vez ou outra tava lá o Amadeu Campos no meio do seu programa jornalístico bradando: “vamos falar de coisa boa, vamos falar de Piauí Pop!”
E os programas especiais com o César “Fire” Filho? Cara, que nostalgia! Abrir parêntese pra uma vez que fui buscar os ingressos que minha prima ganhou e apareci no programa ( o/ ). Foi demais! Nos bastidores tive o prazer de conversar com o Marcus Peixoto. O grande cara idealizador e realizador de tudo aquilo. A galera que estudava comigo na Uespi ficou chateada porque não mandei aquele alô. Hahahaha! Boas lembranças.
Voltando ao dia do festival, participávamos de um verdadeiro ritual pré-festa. Íamos todas para a casa da Naiara com o arsenal de roupas e maquiagem completo. Saíamos divas e ansiosas pra caramba. Já na fila da bilheteria sentíamos um clima diferente. Uma multidão eufórica e nós naquele meio pensando como estava sendo libertador estar ali não mais debaixo da asa de nossos pais. Talvez tenha sido transformador em muitos outros níveis além deste, mas explorá-los iria alongar muito o texto.
A sexta e o sábado daquele julho de 2004 foi um dos fins de semana mais divertidos que já vivemos. Sem dúvida. Quando amanheceu saímos do Jockey Club para finalizar o ritual comendo cachorro quente na calçada. Muitas histórias engraçadas.
Um adendo. A primeira edição do Piauí Pop foi importante pra mim por outro motivo especial. Além de toda a diversão e amizade envolvida, foi lá que dei meu primeiro beijo. ❤ Xô contar!
Cheguei no festival com a cabeça completamente tomada por um músico cabeludo que eu tinha conhecido e minha intenção era, vocês sabem, ficar com ele. Infelizmente ele não fazia ideia da minha existência e passei a noite de sexta chateada que nada aconteceu quando a gente se esbarrou. Chateada em partes. É claro que não deixei de me divertir por um minuto sequer.
Na segunda noite, já no finzinho, a surpresa. Grande parte do público tinha ido embora porque o último show era do Biquíni Cavadão e pelo que pareceu a galera não tinha se empolgado com essa atração. Eu e essa minha mania de só sair no cisco. Óbvio que precisava aproveitar até o último minuto daquela festa. Nada de ir embora antes de terminar.
O show do Biquíni bombou e sem metade da multidão. Do jeito que eu gosto. Dava pra dançar muito! Eles trouxeram um repertório sensacional. Só anos 80 do CD que estavam divulgando na época. De repente, conheci um cara num esbarrão – tinha que ser – e bons minutos de papo depois foram suficientes. Pronto! Lá tava eu numa cena de filme. Pelo menos foi assim que pareceu, antes, durante e depois. Quando cheguei em casa fiquei flutuante e pensativa: como uma coisa tão simples poderia ter um efeito tão mágico?
Na hora acho que tava rolando essa música:

Apesar de ela ter uma temática nada a ver com romance, a melodia grudou na minha cabeça e me traz ótimas recordações não apenas deste momento específico, mas do festival como um todo.
O Piauí Pop foi realizado até 2009 e o que se seguiu durante as edições foi uma repetição das atrações e o acréscimo do domingo que exigia pique extra para acompanhar tudo aquilo. Muita gente criticou, não apoiou a tal repetição de bandas e ansiava por reais novidades no line-up. Eu não. Fui hipnotizada desde a primeira vez que pisei naquela grama. Entretanto, na última edição, realizada no Atlantic City Club, tive que dar o braço a torcer e admitir que não foi legal. Que era hora de acabar. :/
Se eu quero que volte? Marrélógico!
Não tenho mais 19 anos e provavelmente não vou mais sair só ao amanhecer e muito menos serei pisoteada na beira do palco. Ainda assim não posso negar que o Piauí Pop faz muita falta no nosso cenário de entretenimento. Teresina precisa sentir e viver tudo aquilo de novo. E eu também. Mesmo sendo de uma maneira totalmente diferente.

UPDATE

VT do Piauí Pop. Lembro do jingle até hoje. ❤

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2 comentários em “No tempo em que eu curtia Piauí Pop

  1. Fui a apenas um Piauí Pop, mas concordo com tudo o que você disse, era tudo muito mágico. Pena que os filhos do Marcus Peixoto ainda não conseguiram trazer novamente o Piauí Pop para nós… O Planeta Brazuca fracassou… Espero que tenhamos mais sorte no futuro, né?

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