No tempo em que eu não votava

Por decisão do meu pai só tirei o título de eleitor com 18 anos.
A minha revelia, obviamente. Aos 16 já era idealista e com tendências esquerdistas.
Este meio tempo de dois anos deve ter alterado algo no meu temperamento, pois o assunto política decaiu muito dos meus tópicos mais frequentes.

Mas, o que aconteceu com aquela pessoa que vivia informada e discutindo geopolítica? Que estudava o neoliberalismo e decorava discursos contra o governo FHC? Que era a única a saber o nome do presidente do país quando a professora perguntou isso na 2ª série?
Sinceramente não sei.
Provavelmente fui atingida pela síndrome do “só me preocupo com o meu umbigo” e passei a ignorar veementemente os rumos que o país tomou ano a ano.
Hoje, aos 30, me vejo na véspera de uma eleição que promete mudar tudo. Ou nada.
Acompanhei a campanha completamente away. Tanto que nem votei no 1º turno. Fui pra praia e fingi que não era comigo. E isso de uma pessoa que brigava com o pai para ter o título aos 16. Uma pessoa que queria modificar o país e que já enxergava a necessidade de uma reforma política, e por que não dizer geral, no país bem antes disso.
Olhaaaa. Observei muita opinião nesses meses de campanha. Elas estavam por toda parte. Incomodavam? Não. O que me incomoda é a intolerância. Prefiro o respeito.
Não sou muito de divulgar as minhas preferências eleitorais por achar que isso é uma decisão que só cabe a mim. E, principalmente, porque não gosto de entrar em discussões sem dispor de argumentação suficiente.
O meu afastamento dos assuntos políticos não me permite militar por esta ou por aquela legenda. Minha torcida é pela democracia. Sempre.

Ainda permaneço com minha simpatia absoluta pela esquerda. Razão inicial e principal para que eu não vote no PSDB. Motivo pelo qual fiquei decepcionada com Marina Silva e com Eduardo Jorge que declararam apoio à candidatura tucana.
Não posso tapar os olhos para tudo que vem acontecendo no país, sobretudo, os casos nojentos de corrupção.
Entretanto, como proletária genuína que sou, da mesma forma não posso ignorar as mudanças sociais que ocorreram após o ano de 2003. Ano em que chorei na posse do presidente Lula. Um momento histórico que levou um ex-metalúrgico ao posto mais importante do país.
Ano esse também que entrei no meu primeiro curso superior. Licenciatura. Nos anos posteriores presenciei muitas coisas feias, pra dizer o mínimo, na educação do país. Tanto na ocorrência de greves na UESPI quanto nas escolas em que eu precisava estagiar para cumprir as exigências do curso. Apesar do descaso que a educação ainda está relegada, percebo uma evolução inegável.
Aqueles índices que as escolas são subordinadas e aprovações forçadas de alunos que não deveriam ser promovidos, não ajudam muito a minha argumentação. Mas, existe sim um caminho para melhorar a educação em curso. Concordo que o ensino superior tem sido privilegiado (PROUNI e Ciências sem fronteiras), mas tinha que começar de algum jeito. Esperando ansiosamente um programa do próximo governo, que seja sólido e não emergencial, para estruturar a educação de base. Que coloque a cultura como real preocupação. Na minha humilde opinião não tem outra trajetória.
Amanhã meu voto é 13. Decidi dar mais um voto de confiança a este projeto de país.

dilmar

Em última instância, coloco mesmo é nas mãos de Deus.
Que ele ilumine as mentes que vão governar este Brasil, independente de quem vença.
Depois de amanhã, quando acordarmos na segunda e soubermos quem vai assumir a faixa em 1º de janeiro, só queria que o amor prevalecesse. Que acabem os ataques e acusações sustentadas em divergências de opinião. Afinal:

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2 comentários em “No tempo em que eu não votava

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