No tempo em que eu era tímida

Timidez

Olha… Sou tímida.
Muitas pessoas [a maioria delas não acredita quando eu digo isso]. Pareço ser uma pessoa muito espontânea e extrovertida. Só pareço.
Na verdade, rola uma divisão.
Existem situações em que sou desenvolta. Agora outras que… Deus me acuda!

Uma vez fui surpreendida por um aluno. Ihhhhh faz tempo… Quando eu dava aula pro EJA nos tempos de estágio obrigatório do Curso de Letras.
Não lembro que assunto tratávamos e o tópico timidez veio a tona. Disse eu que era tímida, no que ele revidou automaticamente com uma negativa:

___ Tímida VOCÊ? Nunca foi, nunca será.

O que meu ex-aluno não sabia – e que eu tratei rapidamente de esclarecer – é que tenho um comportamento diferente quando estou no trabalho. Não tenho medo de falar em público. Gosto de encarar a sala de aula ou sala de criação e reuniões [mais próximo do meu momento atual].
Agora não me peça pra interagir com pessoas desconhecidas ou puxar conversa fiada com quem não tenho muita convivência. Sou um desastre completo. Se a pessoa não for falante ficaremos apenas no CRI CRI CRI.
Outro problema é a recepção de elogios ou comentários jocosos. Fico vermelha instantaneamente. Um saco. Sou tipo transparente. ¬¬
Talvez essa dificuldade de receber elogios explique a necessidade de esconder alguns dos meus lados. Os lados que assustam.
Essa semana postei uma foto no Instagram e coloquei como perfil no whatsapp.

Esconderse en lo sueno, los rojos y los pelos.

Pense na polêmica. Hahahahahahahaha!
É aquela coisa de: deu vontade de compartilhar uma imagem diferente, mas os comentários depois acabam incomodando.
Então por que postar? Bateu vontade. O lance é aprender a conviver com as consequências. Logo eu que acho que não ligo pro que as pessoas falam.
A verdade é que depende das pessoas. Todo mundo tem um grupo que considera. Que acha importante a opinião.
E eu não sou diferente. Obviamente não dá pra agradar sempre. E ainda tem o fato de você ser um ser humano com características próprias e personalidade singular que vai ou não agradar seus amigos. E aí, você tem peito suficiente para encarar? Eu acho que tô desenvolvendo a habilidade. Apesar da timidez em ser quem eu realmente sou.
Fico mais confortável fazendo a viada infanto-juvenil que fala inhaaaaaaaaaaai pra todo mundo. Mas, tenho uma mulher adulta, decidida e sedutora [why not] aqui dentro que escondo a todo custo. Seria o tal medo me assombrando novamente? Medo de crescer. Medo de ver essa mulher quebrar tudo?
But, wait… Eu posso ser o que quiser

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Gosto de mim como sou. Da minha síndrome de Peter Pan. Acho que é um traço da minha geração esse gosto pelo vintage. Serei assim sempre.
Só que, preciso definir mais espaços para a tal mulher. Chamo de alter ego? Não é para tanto. Sei que ela precisa aparecer mais frequentemente. Principalmente porque não gosto nada de mim falando na terceira pessoa. Urgh!
O fato é que me escondo tanto que quando apareço o estranhamento é geral. A capa nerd de óculos [que voltarei a usar em breve] pressupõe que eu seja completamente quadrada e inapta a manifestações de alegria desmedida e um comportamento dito “descolado”.
Lembro com clareza da 5ª série, quando participei de um concurso de dança na festinha de fim de ano, e das caras estupefatas se perguntando: Oi? Acontece sempre também quando resolvo em um dia aleatório usar maquiagem ou colocar uma roupa diferente. Não vou negar que isso me incomoda. Me sinto vigiada. Sei que não sou, mas é essa a impressão que me passa. Parece que as pessoas esperam o exato momento em que as outras fazem algo diferente para apontar o dedo.
No final das contas ninguém tem nada a ver com isso e a maioria das pessoas não tem a intenção de apontar dedo para nada. Querem elogiar, na verdade. Eu sei porque também faço isso. Todo mundo faz e é completamente normal.
Fico imaginando quem tem algo realmente diferente para mostrar todos os dias e precisa lidar com olhares e comentários julgadores. Isso sim é barra. O meu caso é frescurite aguda e pseudo conflito de personalidade.
O fato é que chegou aquele momento da vida no qual preciso decidir que rumo tomar. Devo deixar a sedutora sair para passear?

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