No tempo em que eu era obesa

Desde que me entendo por gente tenho problemas com a balança.
Tranquilo num primeiro momento. Por que vocês sabem… Criança gordinha é fofa. Questão de saúde. Perdi as contas de quantas vezes ouvi isso.
Fiquei tranquila até aparecerem os julgamentos. Não demorou muito. Pois vocês sabem… Criança gordinha na escola é alvo. Perdi as contas de quantos apelidos tive. Bônus: também era nerd e usava óculos. Aí já viu, né.

Eu até que gostava de ser chamada de Laura. Um dos apelidos mais simpáticos.
Eu até que gostava de ser chamada de Laura. Um dos apelidos mais simpáticos.

Só que a coisa foi piorando.
Ser gorda afetou diretamente a minha percepção de mim mesma. Comecei a não me aceitar. Uma pilha de comentários maldosos [de adultos também] tiveram sua cota de contribuição, verdade seja dita.
Sinceramente me pergunto como não desenvolvi um distúrbio alimentar. Talvez tenha sido por conta de um filme que assisti [nunca que vou lembrar o nome] que mostrava a rotina de uma menina bulímica e como ela foi se destruindo até morrer. É aquela coisa, né. Fiquei assustada e decidi continuar comendo.
Daí a adolescência bate à minha porta. Rapaz, não foi fácil.
Até que o bullying deu uma maneirada. A galera da minha escola tava mais preocupada com paquera e notas do que com qualquer outra questão.
Nesse estágio o lance era eu e eu mesma. A questão da aceitação tinha piorado pacas. E comprar roupas se tornou um desafio constante.
Eu ainda não tinha estilo. Ou melhor, nos idos de 1998/1999 a moda tinha uma pegada street wear que eu gostava muito. Só que não ficava bem. Apesar disso, eu usava. Enfrentava as críticas. Não eram novidade mesmo.
Pensava eu naquela época que um estilo mais romântico e feminino não combinava com minha personalidade. Tenho uma personalidade marcante. Pra dizer o mínimo.
Infelizmente, não tinha orientação neste sentido. E as minhas muitas leituras não estavam surtindo efeito. Com o tempo fui melhorando. Atualmente ainda há quem diga que preciso ser mais feminina. Estou satisfeita por agora.
Voltando a minha saga,  o problema principal era o peso que continuava a subir. Comer errado e a falta de atividade física contínua certamente influenciaram bastante.
Quando entrei na universidade em 2003, decidi que tinha que mudar de vida. Procurei uma nutricionista e emagreci 13 quilos. Fiquei muito bem, mas engordei tudo de novo por conta de ansiedade e outros problemas.
Em 2006, outra tentativa de reeducação alimentar. Sem sucesso. Meu corpo já tinha enchido o saco desse engorda-emagrece-engorda. Chutei o balde.
Entre 2010 e 2011 cheguei ao peso máximo e os problemas de saúde começaram a surgir. Em 2012, cheguei a passar mal. Tontura, dor de cabeça e uma tristeza sem tamanho. Tava tudo muito errado. E lá fui eu recomeçar a luta.
Minha nutricionista me deu uma mega bronca quando me viu entrar no consultório. E logo depois um aviso categórico enquanto lia meus laudos.

____ Se você não modificar agora o seu estilo de vida, vai morrer. Ou vai ter um AVC, ou um ataque cardíaco.

Depois de ouvir isso não tinha como voltar pra casa e mergulhar na comida novamente. Era hora de trabalhar.
Em abril de 2013 iniciei a R.A. [reeducação alimentar] definitiva. Em sete meses nove quilos foram eliminados. Devagar mesmo. Na terceira R. A. o corpo já aprendeu como te sabotar direitinho e a parada é mais difícil. Tanto que estagnei. Não conseguia mais perder peso. Apesar de tentar me disciplinar na atividade física [ainda uma dificuldade].
Dezembro de 2013 foi o início de fato de um novo estilo de vida. Incentivada pelo meu amigo e chefe, Julio Santana, resolvi experimentar uma nova dieta: a Dukan. Nova pra mim, na verdade. Esse método tem mais de 30 anos de existência e os resultados são comprovados. Por nós, inclusive. 😀
Meu post já está longo. Então quem quiser saber mais da dieta clica aqui. É tanta informação que caberia em outro post tranquilamente.
O importante nisso tudo é que consegui chegar ao meu peso ideal e tenho quase certeza de que o manterei.
Rola um medinho de engordar novamente. Mas, considero normal pra quem já lidou com a sanfona tantas vezes.
É isso aí. Um dia de cada vez. o/
Emocionalmente posso dizer que hoje consigo me ver bem melhor. Acho massa gordinho que se aceita e é feliz com seu peso. Eu não era. E além de infeliz estava doente.
Hoje tá tudo mudado. Voltei a me achar atraente depois de anos de auto-sabotagem. Existem danos irreversíveis, só que daqui pra frente tudo vai ser diferente.
A mudança me ajudou a entender que é preciso ir fundo na alimentação de verdade. Passei a cozinhar mais, a me interessar por tudo que é natural, a colocar a minha saúde como prioridade e não viver de prazeres imediatos.
Vou tentar com muita força permanecer com essas resoluções pra sempre. A minha nova EU aprova isso comendo um pão de farelo de aveia com cappuccino light.

FICHA TÉCNICA DAS DIETAS

R. alimentar Idade Peso inicial Resultado
1ª tentativa 19/20 71 kg 58 kg
2ª tentativa 24/25 76 kg Não lembro
3ª tentativa 28 90 kg 81 kg

 

Dieta Dukan Idade Peso inicial Resultado
29 81 70

 

Fiz duas galerias pra vocês darem um confere no antes e depois. Me digam aí, não é pra se conscientizar?

BEFORE

AFTER

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2 comentários em “No tempo em que eu era obesa

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