No tempo em que eu não conhecia Anne Frank

Peter van Pels, 1941-1942

Aproveito este texto para registrar que estou uma lerdeza só no quesito leitura. Levei mais de 4 meses para finalizar um livro de 370 páginas. Vou modificar isso. Urgente.

Vamos ao que interessa agora: o que me tocou no famoso “O diário de Anne Frank.”
Um livro que eu demorei demasiado para ler. De toda forma. Demorei demais para colocá-lo na minha vida e quando finalmente iniciei a leitura, demorei para terminá-la.
Em cada página fui percebendo o quão atrasada fui ao acessar o texto da menina que o The New York Times Book Review chamou de “o relato pessoal mais emocionante  sobre o Holocausto”.
No início do texto, Anne se mostra ainda como uma adolescente típica e confesso que a prepotência da idade me irritou sobremaneira. Antes das dificuldades pelas quais passou, a menina era apenas fútil e convencida. E eu quase desisti da leitura, mas resolvi prosseguir, em virtude de tudo que já tinha ouvido sobre a pequena. E também depois de ler uma coisa que me agradou bastante logo na página 19:

“O papel tem mais paciência do que as pessoas.”

Foi identificação automática e as histórias foram ficando cada vez mais profundas e interessantes. É bacana acompanhar a evolução pessoal e profissional [não tem como não considerar a jovem Anne uma escritora de fato e de direito] da menina que foi obrigada a se esconder com a família fugida do nazismo. O lugar onde a família se esconde – o Anexo – ainda recebe mais quatro pessoas que são os personagens dos relatos contidos no diário.

Quarto de Anne no Anexo  secreto. Repare os recortes na parede. Ela era apaixonada por estrelas de cinema. <3
Quarto de Anne no Anexo secreto. Repare os recortes na parede. Ela era apaixonada por estrelas de cinema e arte em geral. ❤

A garota foi ganhando gradativamente a minha admiração. Mesmo porque eu fui descobrindo que Anne era muito parecida comigo na idade dela ~ou mesmo hoje contando os 16 anos de diferença que me separam dos doce 13 anos~ com a diferença de que eu não fui obrigada a me submeter a um cárcere privado por causa da guerra.
Ela, assim como eu, queria ser escritora, faz um amigo de verdade pelo qual se apaixona e, pra ficar mais parelho ainda, tem problemas de relacionamento com a família. Mas, aí você pode pensar: “se formos observar por este prisma, Anne se parece com todo mundo. Igual aquelas canções do Legião Urbana que causam identificação praticamente biográfica em todos os fãs.”
Eu rebato que no meu caso é diferente. Me sentia como se estivesse lá no Anexo. Exceto nas partes dos ataques aéreos. Nessas horas, meu cérebro comodamente se desligava do terror da guerra e eu via a menina assustada e traumatizada que Anne se tornou. Dava vontade de cuidar dela. Vocês também terão se lerem o livro.
E tem também a torcida para que eles consigam sair vivos depois da guerra. São dois anos de angústia que infelizmente não se resolvem como a gente gostaria.
No fim tem a tristeza. No entanto, dá um alívio saber que a história dela, o diário dela, alcançou um sucesso que ela nem imaginava em sua tenra idade. Chato é, ela não poder desfrutar do sucesso de sua obra, mas, não dá para negar que é de fato um alívio.
Para finalizar deixo mais duas citações retiradas do livro que vão fazer você se perguntar se realmente está dando valor para as oportunidades de aprendizagem que a vida te dá. Eu amei. No tempo em que ficou confinada ela aproveitou – assim como todos os outros no Anexo – para estudar muito. Dá-lhe Anne Frank!

– Sobre trabalho

“A preguiça pode parecer convidativa, mas só trabalho dá a verdadeira satisfação.”

– Sobre religião

“Você não precisa viver no medo da punição eterna; os conceitos de purgatório, céu e inferno são difíceis para muita gente, mas a própria religião, qualquer uma, mantém a pessoa no caminho certo. Não o temor a Deus, mas a manutenção de nosso sentimento de honra e de obedecer à própria consciência. As pessoas seriam muito mais nobres e melhores, se no fim de cada dia, pudessem rever o próprio comportamento e pesar o que fizeram de bom e de mau. Automaticamente tentariam melhorar a cada manhã e, depois de algum tempo, com certeza realizariam muita coisa.” 

Esses trechos do livro foram escritos quando ela tinha apenas 15 anos. Imagina o estrago bom que esta menina teria feito. Sem dúvida que o mundo perdeu uma grande escritora.

P.S: Olha o que eu achei:
https://www.facebook.com/annefrankhouse
Vale para quem quiser ficar mais sabido sobre a história de Anne.

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