No tempo em que eu não ouvia Legião Urbana

Quando o Renato se foi eu tinha 12 anos.

Confesso que já simpatizava com suas composições, mas era um acontecimento recente.
Tinha me identificado com o teor às vezes depressivo das letras e melodias. Andava numa fase ‘beeem’ dark.
Ainda lembro com perfeição da matéria no Jornal Nacional naquele dia fatídico. Ela contava um pouco da trajetória da banda e da vida do nosso querido poeta da revolução.
A música que não saiu da minha cabeça depois da matéria foi Tempo Perdido. Fiquei impressionada com tantas nuances da canção que até hoje é difícil descrever a sensação.
E depois daquele dia, outros programas de TV se seguiram com a mesma temática. Pais e Filhos nunca tinha tocado tanto como tocou naquele ano de 1996. Pelo menos pra mim.
Daí em diante pesquisei muito a banda. Ouvi todo o material que ia conseguindo. Não era tão fácil ter acesso ao material como nos dias de hoje de Youtube, Sonora e Rádio Uol. Dentre tantas outras maneiras de compartilhamento.
Monte Castelo foi outra canção emblemática. E depois Giz. E o CD O Descobrimento do Brasil inteiro.
Aprendi barbaridade com tanta poesia. Com tanta reflexão.
Sereníssima é a música mais biográfica que já encontrei em toda a minha vida. Até a laranjeira verde e prateada tenho no meu quintal (rs). “Tínhamos um plano. Você mudou de ideia”. Ela por si só já dava um post.
Certamente sou melhor hoje por causa da Legião. Ou ‘do Legião’ como falo sempre.
Lembro das críticas das minhas colegas de classe da 6ª série que preferiam o Só Pra Contrariar ou o Zezé de Camargo & Luciano. O que será que passa pela cabeça delas hoje? Será que continuam iguais? Perdi contato com a maioria delas. Só me sobraram as que também gostam de Legião.
Acho que uma das grandes qualidades da banda é justamente essa: unir pessoas que pensam exatamente igual. Ou que pensam pelo menos parecido.
Que não enxergam a vida com lentes cor de rosa. Que são perfeitamente conscientes da fragilidade de tudo e de todos. Da irrelevância da existência humana. Da nossa insignificância perante toda essa imensidão universal.

Quem me dera ao menos uma vez

Acreditar por um instante em tudo que existe

E acreditar que o mundo é perfeito

E que todas as pessoas são felizes…”

(Índios)

Mas, calma. Fica parecendo até que só tem tristeza nessa história toda. Não é verdade. Tem bastante alegria.
Diversão de toda ordem. Ótimas lembranças de uma adolescência no melhor estilo Geração Coca-Cola.
Posso afirmar com convicção ( e mais uma vez e de novo e de novo) que muito do que sou devo a essa banda.
Sou fã de verdade. Sem exageros. Não vou a todos os tributos que acontecem. Mais por incompatibilidade de diversos motivos do que por falta de vontade. Mas, é isso.
E toda essa vontade de escrever sobre o assunto, surgiu justamente por causa do tributo que rolou essa semana (29) em São Paulo. Ah Vinte e nove. Um dia providencial…
Não recorri ao Youtube. Prefiro esperar o DVD sair.
Sei que vou chorar. Sei que vou sorrir. Mais do que tudo, sei que vou voltar no tempo.
E isso definitivamente é uma coisa que eu adoro fazer.

Principalmente se for ao som do Legião.

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2 comentários em “No tempo em que eu não ouvia Legião Urbana

  1. Parabéns pelo texto.Vc conseguiu traduzir meu amor e admiração pela Legião, especialmente pela figura do Renato. Tocou em pontos cruciais, Legião é quase uma religião, já disseram. E agora encontrei a justificativa perfeita, Legião é uma religião porque é uma forma de ver o mundo – compartilhada por quem escuta essa banda maravilhosa.

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