No tempo em que eu era realidade

Eu sei. Parece um título muito filosófico-metafísico. E é mesmo. Com a adição de um pouco de lirismo, por que sem poesia eu não seria eu.
Então…
Para começar a ficção sempre fez parte da minha vida.
Leitura, desenho, divagações já na infância… Um mundo só meu onde eu podia me esconder das agruras da vida real. Da vida como ela é. Já dizia Nelson Rodrigues.
Não via problema nenhum em permanecer horas imaginando outras realidades nas quais eu desempenhava papéis diversos.
Enchia cadernos e folhas de papel almaço com narrativas que na maioria das vezes nem conseguia terminar. Tenho dificuldades com conclusões. #fato
O problema surgiu quando eu comecei a passar tempo demais no meu mundo e deixei o outro em segundo plano. O outro no caso é o mundo de verdade.
Mundo de verdade onde as pessoas interagem, se comunicam, se amam, se odeiam, se casam, tem vida social e outras coisas banais que qualquer pessoa que ler esse texto vai continuar achando banal.
A essa altura do texto o meu leitor ocasional já está duvidando da minha sanidade.
Mas, não caia nessa armadilha leitor. Existem teorias comprovadas ou fictícias da nossa dependência em fazer ficção por onde quer que a gente vá.
Li um autor muito interessante que disse:

“Quando não sabemos as respostas, nós
as inventamos poeticamente. Em outras
palavras, fazemos ficção.” (Gustavo Bernardo)

E eu faço muito isso. Direto.
Minha analista vive brigando comigo porque eu tenho uma mania incorrigível de antecipar as respostas das coisas. Não espero as pessoas responderem. Já vou conjeturando sobre o rumo das situações e isso me faz perder tempo, entusiasmo, esperança e outras sensações, por motivos que na maioria das vezes eu desconheço ou que possivelmente nem existam na
realidade.
Enfim.
Apesar de ser essa pessoa que vive ligada na ficção (que sonha trabalhar exclusivamente com isso), meus momentos de lucidez ainda são infinitamente superiores aos de invenção poética.
Tenho a noção exata de mentira e verdade, de sonhar e ficar acordado, de devaneio e de evento concreto.
Não adianta querer me engambelar falando coisa com coisa que não vai rolar. Sou absolutamente atenta e não deixo escapar um mínimo detalhe, principalmente quando o tema me interessa.
Só que as vezes confundo lé com cré e aí já viu, né. Sobra pra mim.
Tentando concluir esse texto com a dificuldade recorrente entendo que vou continuar ficcionando a minha vida.
Não sei se é bom. Se é ruim.
Só sei que é a única maneira que eu entendo.
Que me tranquiliza.
Que não me deixa tão diferente de todo mundo lá fora.

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