No tempo em que eu não tinha medo de altura

Imagem: Commons wikimedia
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Isso faz muito tempo.

Tenho uma lembrança vaga de estar em cima de uma escada doméstica e ouvir meu pai gritando “Desce daí menina que tu cai!”. Lá pelos meus quatro anos ou menos.
Acho que foi aí que o medo se instalou em mim pela primeira vez. Tenho essa impressão.
Se instalou, gostou e não quer se mudar.
Tenho que confessar. Sou medrosa compulsiva.
Estou me tratando. Tentando melhorar aqui e ali. Já superei uns, ignorei outros e assim vou levando. Deve ser assim com todo mundo.
No momento fico pensando como o medo tem o poder de nos paralisar.
Tem horas que você sabe o que deve fazer, como fazer e não faz porque tem um botãozinho no seu cérebro que é acionado justamente nessa bendita hora.
O pior é que esse digníssimo botão é difícil de desligar que nem a “muléstia”. Um negócio assim sem explicação.
E é cada medo estapafúrdio que eu vou te dizer, viu?
Como tudo na minha pessoa, é sempre o simples em vez do complicado.
As pessoas normais (ou comuns, ou sei lá o quê) têm medo de falar em público. Eu não tenho.  O meu medo é de falar no reservado.
Essas mesmas criaturas nem podem se imaginar no meio de uma multidão. Medo da violência.
Eu amo festivais de música com milhares de pessoas. #eunaovou [hastag oficial do RiR 2011 negativada]
Enfim…
Mas, tem um medo complicado que eu compartilho com o restante da humanidade.
O danado, o infalível, o sempre presente: Medo de amar.
Não posso negar.
É como se jogar num abismo. E como eu tenho medo de altura, logo…
Espero me curar um dia. Não sei se de todos os medos, pois um frio na barriga as vezes é bom para dar tesão, mas, pelo menos dos mais chatos.
Aqueles que não me autorizam no momento devido. Que não avalizam minhas ações.
Minhas campanhas atuais são contra o medo.
Tipo: ontem… Recebi uma mensagem de uma amiga dizendo que estava com medo de ser inconsequente.
Eu (nessa minha fase exorcizando os medos) disse que ela tinha que viver sem medo enquanto é tempo. Cada dia que passa fica mais desconfortável dar uma de doidivanas por puro prazer. Somos adultos e aquelas responsabilidades que chegam a partir dos 25 não nos deixam esquecer esse fato consumado.
Para minha revolta (e não surpresa, conheço muy bien essa garota) ela disse que vai ficar calma em relação a isso.
Como assim? Calma é o caralho.
Pra mim tá cada vez mais claro: ou você aproveita as oportunidades agora e se arrepende depois (vez por outra se deleitando com as boas lembranças), ou pode não ter nada do que se arrepender.

E isso na minha opinião é bem pior.

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