No tempo em que eu não era ignorada

Imagem: Blog Xerago
Imagem: Blog Xerago

Se tem uma coisa que as pessoas sabem fazer é ignorar as outras.

E falo isso não pelo lado pessoal somente. O mundo está cheio de exemplos  de como as coisas importantes são sumariamente ignoradas.
O regime escravocrata levou séculos para ser banido e ainda hoje em pleno século XXI deve existir por aí, nos confins desse Brasil, uma fazendinha que escraviza  seres humanos. Só para citar um exemplo.
Voltando para casa ontem no ônibus de sempre presenciei uma dessas cenas.
Um homem entrou no ônibus e fez um discurso nos moldes “eu podia estar roubando…”. Ele disse que era portador do vírus HIV e isso podia ser facilmente comprovado através de sua magreza aidética. Pediu qualquer trocado que os passageiros possuíssem no bolso e num movimento automático várias bolsas foram abertas, antes mesmo que ele terminasse de proferir suas palavras de súplica.
Do mesmo modo automático um pensamento me invadiu a mente.
Este gesto não foi solícito, nem tampouco altruísta. Ele está mais para “Vou dar logo o que esse cara quer. Assim ele vai logo embora e não vou ouvir mais sobre os problemas dele.”

Aí toda vez que um pedinte entra no ônibus repito o mesmo gesto e pago um preço relativamente barato para não ter que ver os problemas de terceiros.

Mas, não funciona desse jeito. Os problemas do mundo estão cada vez mais visíveis. Não interessa quanto dinheiro você desembolse para mascará-los.

Quer contribuir? Seja voluntário.

Crie uma associação de proteção aos burros de carroça. Sim, porque me dói muito ver aqueles animais açoitados e obrigados a suportar cargas demasiadamente pesadas.
Brutalidade. Pura e simples. Que continua a ser ignorada.
Alguém precisa se mexer. Eu inclusive.
Vou tentando disseminar essa mensagem para os poucos que me leem e esperando que inspire a atitude positiva de alguém.
Senão eu mesma tenho que criar a tal associação. Quem sabe um dia proíbam burros nas carroças?
Ultimamente me senti um pouco como esses burros. Não pela carga, mas sim pela parte de ser ignorada.
Alguns amigos de outros tempos não me respondem mais. Não atendem minhas ligações…

Enfim.

Talvez tenham mudado de número. Sei lá.
Do jeito estabanado que eu sou, devo ter feito alguma merda e nem me lembro.
Se fiz, desculpa aí galera. Não tive a intenção.

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2 comentários em “No tempo em que eu não era ignorada

  1. É Susy… também comigo acontece isso de amigos que sumiram e que não tenho mais contato. Talvez seja ‘surto-de-ignorar-pessoas-em-massa’ rs. Eu tenho a minha versão para isso: a vida moderna. Hoje as pessoas preferem teclar alguns oi, e ai, bjs, sdds e afins do que falar o face2face de antes… muitos amigos dizem estar ocupadíssimos pra uma tarde com filme e pipoca, um cinema ou teatro, mas estão sempre disponíveis no MSN. O que deveria servir pra unir as pessoas teve efeito contrário, distanciando-as. Ninguém mais quer ‘perder tempo’ conhecendo alguém pessoalmente. O mundo virtual destruiu um pouco essa magia. Por favor, essa é apenas a minha opinião, que de forma alguma deve ser tomada como algo generalizado.

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