No tempo em que eu sabia de tudo

Acho que todo mundo passa por essa fase quando pensa que domina geral todos os assuntos e desafios. Quando pensa que é o tal.

Pra mim foi dos 07 aos 10 anos.

Eu barbarizava na escola. No bom sentido é claro.

Era a melhor aluna da sala, tinha texto meu no mural do pátio, era a primeira a terminar as provas, tirava dez em TODAS as matérias.

Essa era uma instância em que eu me sentia bastante a vontade. Na verdade acho era a única, pois sempre tive minhas neuras já na infância.

Porém, em um belo dia minhas notas mudaram.

Me lembro como se fosse hoje. Era o fim do ano. Últimas provas e a minha sequencia de 10-10-10-10 se transformou em 10-10-10-09.

Meu mundo caiu. Eu tinha 08 anos na época e que eu me lembre essa foi minha primeira decepção comigo mesma.

Não é grande coisa. Minha média continuava lá em cima. Mas, pra mim era uma tragédia.

Sempre fui meio dramática. Nota-se.

Infância passou. Passei pela adolescência. E ela… A aterrorizante vida adulta chegou.

Quando a gente chega aqui cai na real.

Puxa vida, um pensamento nos invade, não de sei de porra nenhuma.

E quando digo que não sei não sei mesmo.

Isso me assusta profundamente.

Tenho um medo desgraçado de nunca conseguir aprender as coisas que eu não sei. Pior. Tenho medo de não ter a chance de aprender.

Só que não pretendo ficar nessa zona de desconforto por muito tempo.

Já vi que o lance é partir pro confronto. Sem medo de ser feliz.

O problema é estar sempre com esse medo do desconhecido, das quedas que certamente vão acontecer no caminho… Enfim.

Chega de medo.

É hora de partir pro tudo ou nada.

Mesmo sabendo que eu continuo sem saber nadica de nada.

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No tempo em que eu era realidade

Eu sei. Parece um título muito filosófico-metafísico. E é mesmo. Com a adição de um pouco de lirismo, por que sem poesia eu não seria eu.
Então…
Para começar a ficção sempre fez parte da minha vida.
Leitura, desenho, divagações já na infância… Um mundo só meu onde eu podia me esconder das agruras da vida real. Da vida como ela é. Já dizia Nelson Rodrigues.
Não via problema nenhum em permanecer horas imaginando outras realidades nas quais eu desempenhava papéis diversos.
Enchia cadernos e folhas de papel almaço com narrativas que na maioria das vezes nem conseguia terminar. Tenho dificuldades com conclusões. #fato
O problema surgiu quando eu comecei a passar tempo demais no meu mundo e deixei o outro em segundo plano. O outro no caso é o mundo de verdade.
Mundo de verdade onde as pessoas interagem, se comunicam, se amam, se odeiam, se casam, tem vida social e outras coisas banais que qualquer pessoa que ler esse texto vai continuar achando banal.
A essa altura do texto o meu leitor ocasional já está duvidando da minha sanidade.
Mas, não caia nessa armadilha leitor. Existem teorias comprovadas ou fictícias da nossa dependência em fazer ficção por onde quer que a gente vá.
Li um autor muito interessante que disse:

“Quando não sabemos as respostas, nós
as inventamos poeticamente. Em outras
palavras, fazemos ficção.” (Gustavo Bernardo)

E eu faço muito isso. Direto.
Minha analista vive brigando comigo porque eu tenho uma mania incorrigível de antecipar as respostas das coisas. Não espero as pessoas responderem. Já vou conjeturando sobre o rumo das situações e isso me faz perder tempo, entusiasmo, esperança e outras sensações, por motivos que na maioria das vezes eu desconheço ou que possivelmente nem existam na
realidade.
Enfim.
Apesar de ser essa pessoa que vive ligada na ficção (que sonha trabalhar exclusivamente com isso), meus momentos de lucidez ainda são infinitamente superiores aos de invenção poética.
Tenho a noção exata de mentira e verdade, de sonhar e ficar acordado, de devaneio e de evento concreto.
Não adianta querer me engambelar falando coisa com coisa que não vai rolar. Sou absolutamente atenta e não deixo escapar um mínimo detalhe, principalmente quando o tema me interessa.
Só que as vezes confundo lé com cré e aí já viu, né. Sobra pra mim.
Tentando concluir esse texto com a dificuldade recorrente entendo que vou continuar ficcionando a minha vida.
Não sei se é bom. Se é ruim.
Só sei que é a única maneira que eu entendo.
Que me tranquiliza.
Que não me deixa tão diferente de todo mundo lá fora.

Susyanne

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No tempo em que eu assistia Malhação

Eu cresci junto com a Malhação. Na estreia em 1995 eu tinha 11 anos. Assim, durante toda a minha adolescência passei as tardes esperando que chegasse as 17:30 só pra correr pra frente da TV e acompanhar as histórias da academia que depois se tornou escola.

Hoje voltei no tempo uns dez anos. Liguei no Canal Viva e lá estava ela. A Malhação que eu mais gostei de todas as temporadas (tirando a primeira que foi inigualável). A Malhação 2000/2001.

Eu lembro que eu saia correndo da escola. VOADA como se diz por aqui. Só pra não perder nem um minutinho de cada episódio. O problema é quando chegava o horário de verão – como agora – e eu não tinha mesmo como assistir.

Foi muito louco rever aquelas cenas. Era como se eu estivesse de novo em 2001, mas eu não estava. Podia enxergar os fatos, relembrar os acertos e os erros, mas não tinha poder para intervenção. O tempo passou e é isso.

A única coisa que posso fazer é rever os capítulos da novela, porque os capítulos da minha vida não têm reprise.

Enfim… Chega de nostalgia.

Rever Malhação 2001 também me fez ver que a qualidade da produção caiu demais nos últimos anos.

Os roteiros já foram muito mais interessantes.

Aí vem a pergunta. Como eu posso comparar se nem assisto mais?

Não é de agora que esse declínio acontece. Já faz um tempo. No tempo em que eu ainda assistia Malhação.

Ok. Agora sou adulta, trabalho e não tenho tempo para isso. Embora isso não justifique por que quando estou em casa assisto bastante TV. E honestamente não tenho mais saco pra ver a Malhação de 2011. Por isso foi tão bom ver a de 2001. Matei saudade mesmo. Ouvir a abertura com Charlie Brown Jr “Vou te levar yeah.. Te levar daqui…” Sensacional!

No entanto, talvez eu esteja errada. Talvez desde aquela época o roteiro já não fosse lá essas coisas. Eu é que não tinha discernimento suficiente (não tenho ainda) para comparar.

Não interessa!

O importante é recordar os bons momentos. E eu fiz isso hoje.

=D

Susyanne

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No tempo em que as lâmpadas eram incandescentes

Ontem eu voltava da UFPI – Universidade Federal do Piauí – onde fui assistir uma palestra interessantíssima sobre TV na Espanha, quando me peguei a pensar.

Como costumeiramente faço, sentei na cadeira da janela do Rodoviária Circular e liguei meu MP3 pra colocar trilha na viagem.

Com a brisa no meu rosto e os olhos na cidade percebi que a grande maioria das casas de Teresina não utiliza mais lâmpada incandescente. A luz branca das fluorescentes tomou conta dos espaços.

Depois de perceber isso olhei no momento seguinte para os postes de iluminação pública. Por que eles também não aderiram à iluminação fluorescente?

Fiquei intrigada.

Pesquisei e descobri que em Brasília  já fizeram uma experiência nesse sentido, que não deu certo devido à fragilidade do material da lâmpada fluorescente.

Pelo que eu li os pesquisadores estão desenvolvendo uma opção mista que economize energia e não seja tão frágil.

Pois é.

As coisas realmente estão mudando de um amarelo quente para um branco frio.

Meu sonho era que esse frio contagiasse nosso querido clima que anda quente como o quê.

Susyanne

P.S.: Essa conversa de lâmpada me lembrou o único presente que ganhei no meu aniversário dia 19. Uma luminária laranja. Mais quente impossível.

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No tempo em que eu vivia a minha vida

Minha lembrança mais vívida de ter vivido a minha própria vida vem lá dos tempos de escola.

Naquela época em que nada me preocupava (exceto umas questões metafísicas), eu era feliz, sabia e tinha plena consciência de que aquilo não iria durar.

Acho que meu erro permanente é esse: não acreditar que as coisas podem ficar e permanecerem boas para mim.

Sempre espero o pior. Deve ser por isso que o melhor nunca vem.

Whatever…

Comecei cedo a me preocupar com o bem estar alheio em detrimento do meu. É nobre eu sei. Mas, sei muito bem que no fim da festa sou sempre eu que tenho que fazer a faxina (metaforicamente é claro, odeio faxina).

E essa tal faxina metafórica – viajei legal rsrsrsrsrs – é feita solitariamente ao som de uma boa balada dos anos 80.

Pois é.

Estou sempre colocando minhas prioridades em último plano.

Abdiquei da vida social (dentre outras coisas), do salão de beleza, da vida desregrada, do besteirol adolescente, das noitadas com a galera, ou seja, da vida como ela é quando se tem vinte e poucos anos.

Fico pensando as vezes como é que fui deixar isso acontecer. Em que momento do passado eu resolvi desistir de mim mesma? E por que diabos eu fiz uma loucura dessas?

Não sei. Só sei que foi assim.

Outras vezes – raras devo admitir – acalento um pensamento otimista de que toda essa turbulência e abstinência vai passar num sei quando.

Realmente não tenho ideia de quando minha maré de azar – se é que é isso mesmo, será destino? – vai se tornar maré de sorte.

Bem que podia ser logo.

Tipo… Hoje.

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No tempo em que eu roía as unhas

Minhas unhas roídas

Pela imagem aí de cima já deu pra perceber que eu ainda tenho esse hábito.

É bem verdade que hoje em dia muito menos do que antes.

Na infância minhas unhas nunca ultrapassaram 1cm de comprimento.

Minha mãe reclamava por demais. Ela que sempre conservava belas e compridas unhas vermelhas.

O que me coube foi cuidar dos pés que nunca foram alvo do meu compulsivo ato de roer.

Cresci e desenvolvi outras compulsões: ler, ouvir música, comer, beber (só as vezes rsrs), jogar no celular… E mesmo assim vez por outra o danado hábito ataca novamente.

Gosto de manter minhas unhas pintadas (de vermelho, by the way) e sempre faço isso até para mantê-las grandes e fortes.

Unha sem esmalte quebra com mais facilidade. Isso não é lenda. É um fato comprovado em anos de auto-manicure. Raramente outra pessoa tira minhas cutículas e coisa e tal. Até porque minhas lembranças não são muito boas. Enfim…

Minha amiga Hosana leu em algum lugar que as mulheres só fazem a unha quando estão pra cima.

Deve ser isso então. Crises e mais crises.

Agora vou iniciar um novo ciclo em busca das unhas perfeitas.

Quando o tom ruby voltar pras minhas mãos coloco uma foto aqui também.

Até lá então.

P.S.: Dias depois de escrever este texto tive uma cutícula infeccionada de tanto roer. Não ousarei colocar a foto disso aqui. Vocês não merecem.

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No tempo em que eu não tinha medo de altura

Isso faz muito tempo.

Tenho uma lembrança vaga de estar em cima de uma escada doméstica e ouvir meu pai gritando “Desce daí menina que tu cai!”. Lá pelos meus quatro anos ou menos.

Acho que foi aí que o medo se instalou em mim pela primeira vez. Tenho essa impressão.

Se instalou, gostou e não quer se mudar.

Tenho que confessar. Sou medrosa compulsiva.

Estou me tratando. Tentando melhorar aqui e ali.

Já superei uns, ignorei outros e assim vou levando.

Deve ser assim com todo mundo.

No momento fico pensando como o medo tem o poder de nos paralisar.

Tem horas que você sabe o que deve fazer, como fazer e não faz porque tem um botãozinho no seu cérebro que é acionado justamente nessa bendita hora.

O pior é que esse digníssimo botão é difícil de desligar que nem a “muléstia”. Um negócio assim sem explicação.

E é cada medo estapafúrdio que eu vou te dizer viu?

Como tudo na minha pessoa é sempre o simples em vez do complicado.

As pessoas normais (ou comuns, ou sei lá o quê) têm medo de falar em público. Eu não tenho.  O meu medo é de falar no reservado.

Essas mesmas criaturas nem podem se imaginar no meio de uma multidão. Medo da violência.

Eu amo festivais de música com milhares de pessoas. #eunaovou = (

Enfim…

Mas tem um medo complicado que eu compartilho com o restante da humanidade.

O danado, o infalível, o sempre presente: Medo de amar.

Não posso negar.

É como se jogar num abismo. E como eu tenho medo de altura, logo…

Espero me curar um dia.

Não sei se de todos os medos, pois um frio na barriga as vezes é bom para dar tesão, mas de pelo menos os mais chatos.

Aqueles que não me autorizam no momento devido. Que não avalizam minhas ações.

Minhas campanhas atuais são contra o medo.

Tipo ontem… Recebi uma mensagem de uma amiga dizendo que estava com medo de ser inconsequente.

Eu (nessa minha fase exorcizando os medos) disse que ela tinha que viver sem medo enquanto é tempo. Cada dia que passa fica mais desconfortável dar uma de doidivanas por puro prazer. Somos adultos e aquelas responsabilidades que chegam a partir dos 25 não nos deixam esquecer esse fato consumado.

Para minha revolta (e não surpresa, conheço muy bien essa garota) ela disse que vai ficar calma em relação a isso.

Como assim? Calma é o c******.

Pra mim tá cada vez mais claro: ou você aproveita as oportunidades agora e se arrepende depois (vez por outra se deleitando com as boas lembranças), ou pode não ter nada do que se arrepender.

E isso na minha opinião é bem pior.

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