No tempo em que eu usava 42

Porra!

Nesse tempo eu era feliz e não sabia.

Você não sabe o que é vasculhar uma arara inteira e só encontrar esse bendito 42. Você não tem noção o que é pra uma mulher ver aquela peça linda, visualizar em si, ir até o provedor e no final das contas não servir.

Estou enorme. Minha bunda está muito grande (e nesse caso não é uma coisa boa).

Na verdade é terrível vestir até a coxa e depois perceber que o combo circunferência abdominal exagerada + quadril avantajado não vão permitir que essa peça seja sua.

É revoltante o que as lojas de departamento fazem conosco. Nós meras mortais que não somos esqueléticas de nascença e que temos uma tendência desgraçada para engordar mesmo comendo vento. As araras dessas lojas estão cheias de tamanho 42.

Mas, isso não é o pior. Ruim de verdade é o 40, o 38 e o 36 que ficam ali te olhando como quem diz: “Esquece gorda que eu não entro nem na tua panturrilha”.

Minha revolta em negrito de hoje é pelo fato de ter percorrido três lojas e só ter achado um jeans mais ou menos descente na última. Isso me atrasou pro trabalho e ainda me deixou um tanto quanto pensativa, pra não dizer logo deprê.

Por outro lado essa experiência terrível me fez ver que tenho que ir mais vezes a academia e fazer força pra fechar a boca. Ignorar o refrigerante e tentar (conseguir) de uma vez por todas chegar ao meu peso ideal.

Quero de verdade não ter que passar mais por isso. Perder menos tempo nos provadores e ficar satisfeita com minhas escolhas de moda.

E tudo isso foi motivado por um shortinho jeans.

Santas calorias, viu?!

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Arquivado em Divagações, dores do mundo, Filosofia de vida

No tempo em que eu era engajada

 

Olha… Eu já fui muito mais ativa politicamente do que hoje em dia.

Nos tempos de Ensino Fundamental, por exemplo, eu me amarrava muito em Geopolítica.

Entendia mesmo.

Assistia noticiários. Estava por dentro dos acontecimentos no cenário mundial. Enfim… Era um tópico bastante interessante para a minha pessoa.

Definitivamente mudei.

Fiquei mais entretida com o entretenimento. #olhaqueironia

Deixei as preocupações sociais de lado.

Minha justificativa: gente, é muita informação!

Só nesse lance de entretenimento leio zilhões de coisas por semana, assisto TV, navego na internet, ouço rádio, vejo blogs… E mesmo com essa atividade frenética, todos os dias descubro uma coisa nova da qual nunca tinha ouvido falar.

E fico pasma. É claro.

Tenho tentado me informar mais dos antigos interesses pra não ser uma pessoa alienada. É óbvio que o panorama geral consigo absorver nas leituras rápidas. O problema é não ter tempo para me dedicar às análises profundas e às questões que afligem a conjuntura sóciopolítica mundial.

Também sei que não basta estar informada das paradas que acontecem pelo mundo.

De vez em quando é preciso se infiltrar nos movimentos e fazer alguma coisa de útil em favor de uma causa justa.

Nos últimos meses aqui em Teresina os estudantes reivindicaram energicamente ( e foram repreendidos mais que energicamente) sobre o aumento abusivo da tarifa de ônibus.

Fiquei orgulhosa da manifestação. E com vergonha por não estar nela.

O movimento teve duas fases. Na primeira, ainda em 2011, eu tentei participar pela internet. O Facebook era meu aliado para demonstrar minha indignação. Mas, eu não estava nas ruas.

Num segundo momento, já em 2012, a minha participação foi bastante reduzida. Quase a zero eu diria.

Gostaria de ter sido mais participativa.

Quem sabe até ser uma presa política. Meu pai iria adorar. (vários manifestantes foram presos sob fiança de R$ 6.000 #absurdo)

Acho que meu lado rebelde tá se soltando de mim.

Talvez seja a maturidade chegando.

Ou então falta de iniciativa mesmo.

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No tempo em que eu sabia de tudo

Acho que todo mundo passa por essa fase quando pensa que domina geral todos os assuntos e desafios. Quando pensa que é o tal.

Pra mim foi dos 07 aos 10 anos.

Eu barbarizava na escola. No bom sentido é claro.

Era a melhor aluna da sala, tinha texto meu no mural do pátio, era a primeira a terminar as provas, tirava dez em TODAS as matérias.

Essa era uma instância em que eu me sentia bastante a vontade. Na verdade acho era a única, pois sempre tive minhas neuras já na infância.

Porém, em um belo dia minhas notas mudaram.

Me lembro como se fosse hoje. Era o fim do ano. Últimas provas e a minha sequencia de 10-10-10-10 se transformou em 10-10-10-09.

Meu mundo caiu. Eu tinha 08 anos na época e que eu me lembre essa foi minha primeira decepção comigo mesma.

Não é grande coisa. Minha média continuava lá em cima. Mas, pra mim era uma tragédia.

Sempre fui meio dramática. Nota-se.

Infância passou. Passei pela adolescência. E ela… A aterrorizante vida adulta chegou.

Quando a gente chega aqui cai na real.

Puxa vida, um pensamento nos invade, não de sei de porra nenhuma.

E quando digo que não sei não sei mesmo.

Isso me assusta profundamente.

Tenho um medo desgraçado de nunca conseguir aprender as coisas que eu não sei. Pior. Tenho medo de não ter a chance de aprender.

Só que não pretendo ficar nessa zona de desconforto por muito tempo.

Já vi que o lance é partir pro confronto. Sem medo de ser feliz.

O problema é estar sempre com esse medo do desconhecido, das quedas que certamente vão acontecer no caminho… Enfim.

Chega de medo.

É hora de partir pro tudo ou nada.

Mesmo sabendo que eu continuo sem saber nadica de nada.

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No tempo em que eu era realidade

Eu sei. Parece um título muito filosófico-metafísico. E é mesmo. Com a adição de um pouco de lirismo, por que sem poesia eu não seria eu.
Então…
Para começar a ficção sempre fez parte da minha vida.
Leitura, desenho, divagações já na infância… Um mundo só meu onde eu podia me esconder das agruras da vida real. Da vida como ela é. Já dizia Nelson Rodrigues.
Não via problema nenhum em permanecer horas imaginando outras realidades nas quais eu desempenhava papéis diversos.
Enchia cadernos e folhas de papel almaço com narrativas que na maioria das vezes nem conseguia terminar. Tenho dificuldades com conclusões. #fato
O problema surgiu quando eu comecei a passar tempo demais no meu mundo e deixei o outro em segundo plano. O outro no caso é o mundo de verdade.
Mundo de verdade onde as pessoas interagem, se comunicam, se amam, se odeiam, se casam, tem vida social e outras coisas banais que qualquer pessoa que ler esse texto vai continuar achando banal.
A essa altura do texto o meu leitor ocasional já está duvidando da minha sanidade.
Mas, não caia nessa armadilha leitor. Existem teorias comprovadas ou fictícias da nossa dependência em fazer ficção por onde quer que a gente vá.
Li um autor muito interessante que disse:

“Quando não sabemos as respostas, nós
as inventamos poeticamente. Em outras
palavras, fazemos ficção.” (Gustavo Bernardo)

E eu faço muito isso. Direto.
Minha analista vive brigando comigo porque eu tenho uma mania incorrigível de antecipar as respostas das coisas. Não espero as pessoas responderem. Já vou conjeturando sobre o rumo das situações e isso me faz perder tempo, entusiasmo, esperança e outras sensações, por motivos que na maioria das vezes eu desconheço ou que possivelmente nem existam na
realidade.
Enfim.
Apesar de ser essa pessoa que vive ligada na ficção (que sonha trabalhar exclusivamente com isso), meus momentos de lucidez ainda são infinitamente superiores aos de invenção poética.
Tenho a noção exata de mentira e verdade, de sonhar e ficar acordado, de devaneio e de evento concreto.
Não adianta querer me engambelar falando coisa com coisa que não vai rolar. Sou absolutamente atenta e não deixo escapar um mínimo detalhe, principalmente quando o tema me interessa.
Só que as vezes confundo lé com cré e aí já viu, né. Sobra pra mim.
Tentando concluir esse texto com a dificuldade recorrente entendo que vou continuar ficcionando a minha vida.
Não sei se é bom. Se é ruim.
Só sei que é a única maneira que eu entendo.
Que me tranquiliza.
Que não me deixa tão diferente de todo mundo lá fora.

Susyanne

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Arquivado em Divagações, dores do mundo, Filosofia de vida

No tempo em que eu assistia Malhação

Eu cresci junto com a Malhação. Na estreia em 1995 eu tinha 11 anos. Assim, durante toda a minha adolescência passei as tardes esperando que chegasse as 17:30 só pra correr pra frente da TV e acompanhar as histórias da academia que depois se tornou escola.

Hoje voltei no tempo uns dez anos. Liguei no Canal Viva e lá estava ela. A Malhação que eu mais gostei de todas as temporadas (tirando a primeira que foi inigualável). A Malhação 2000/2001.

Eu lembro que eu saia correndo da escola. VOADA como se diz por aqui. Só pra não perder nem um minutinho de cada episódio. O problema é quando chegava o horário de verão – como agora – e eu não tinha mesmo como assistir.

Foi muito louco rever aquelas cenas. Era como se eu estivesse de novo em 2001, mas eu não estava. Podia enxergar os fatos, relembrar os acertos e os erros, mas não tinha poder para intervenção. O tempo passou e é isso.

A única coisa que posso fazer é rever os capítulos da novela, porque os capítulos da minha vida não têm reprise.

Enfim… Chega de nostalgia.

Rever Malhação 2001 também me fez ver que a qualidade da produção caiu demais nos últimos anos.

Os roteiros já foram muito mais interessantes.

Aí vem a pergunta. Como eu posso comparar se nem assisto mais?

Não é de agora que esse declínio acontece. Já faz um tempo. No tempo em que eu ainda assistia Malhação.

Ok. Agora sou adulta, trabalho e não tenho tempo para isso. Embora isso não justifique por que quando estou em casa assisto bastante TV. E honestamente não tenho mais saco pra ver a Malhação de 2011. Por isso foi tão bom ver a de 2001. Matei saudade mesmo. Ouvir a abertura com Charlie Brown Jr “Vou te levar yeah.. Te levar daqui…” Sensacional!

No entanto, talvez eu esteja errada. Talvez desde aquela época o roteiro já não fosse lá essas coisas. Eu é que não tinha discernimento suficiente (não tenho ainda) para comparar.

Não interessa!

O importante é recordar os bons momentos. E eu fiz isso hoje.

=D

Susyanne

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